CORPUS CHRISTI – QUESTÃO DE OLHAR

Quando criança, me lembro, eu ficava encantado com os tapetes coloridos do feriado de Corpus Christi. Era tudo multicolorido, o que, para uma criança, é alegria certa. O tempo foi passando, fui crescendo e, pouco a pouco, deixei de comparecer à celebração. Nos últimos anos, porém, meu interesse renasceu, muito em parte motivado por ter tornado-me fotógrafo, de fato.

Eu já tinha fotografado outras – vou chamar assim – “demonstrações de fé”, como a caminhada rumo ao Morro Agudo, em Guaxupé, por exemplo. Como gosto de estar no meio das pessoas e documentar histórias e situações, me auto-impus a tarefa de documentar, desde o início, a confecção dos tapetes e a celebração da missa e procissão de Corpus Christi. No dia 31 de maio de 2018 acordei às 05:00 da manhã, fui para o local e passei a fazer minhas fotos.

Quando fui pra lá eu não sabia o que encontraria, não tinha a menor ideia de como era preparada aquela celebração, nem quantas pessoas estavam envolvidas no processo. Surpreendi-me quando cheguei ao local e encontrei um grande número de pessoas, gente que se dispôs a madrugar, sair de casa no frio e abrir mão de parte de seu feriado a fim de colaborar para uma causa nobre. Eles não pareciam estar trabalhando, e sim se divertindo. Era, na verdade, um momento de confraternização.

No início, alguns deles estranharam a presença daquele garoto com uma câmera fazendo fotos aparentemente aleatórias mas, pouco a pouco, se acostumaram à minha presença, passaram a me ignorar e continuaram com seus afazeres, o que foi ótimo para mim, já que eu pretendia mesmo me manter como uma “mosca na parede”: totalmente anônimo e discreto.

Fiz muitas fotos, e selecioná-las a fim de decidir quais iriam compor a coleção final não foi tarefa fácil. Normalmente, escolho as fotos que me impactam à primeira vista, que imediatamente “conversam” comigo. Busco imagens que, de alguma forma, transmitam primeiramente a mim a essência da ocasião. Assim, ao invés de pescar imagens coloridas dos tapetes preferi retratos em preto-e-branco dos trabalhadores, celebrantes e fiéis.

É um retrato da fé em estado puro de um povo.

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